O Estrangulador de Bonecos de Neve

Novo livro de Carlos Vaz

“O Estrangulador de Bonecos de Neve” é a primeira de um conjunto de obras cuja colecção tem o singular nome de “CURTAS”. São cinco as “Curtas” que o autor se propõe fazer, cinco volumes, de microcontos, pequenas histórias, uma por página, que podem bem funcionar a jeito de pequenas parábolas dos nossos dias. O primeiro livro tem o estranho nome de “O ESTRANGULADOR DE BONECOS DE NEVE” e contará com ilustrações de artistas nacionais e internacionais como César Taíbo, Evelina Oliveira, Isabel Ferreira Alves, Constança Lucas (Brasil) e Mário Rebelo de Sousa.

2666

Livro de Roberto Bolaño

«É retratado como um cruzamento entre Arthur Rimbaud e a Beat Generation, mas [Horacio Castellanos] Moya diz que a "a maioria dos críticos passou ao lado do facto de Bolaño não ter morrido na sequência do abuso de drogas ou álcool, mas de uma pancreatite mal curada que lhe destruiu o fígado; ou que o seu caso é mais próximo de Balzac e Proust, que morreram aos 50 anos, depois de um enorme esforço de trabalho, do que dos ídolos pop norte-americanos [James Dean e Kurt Cubain]» (Horacio Castellanos Moya)

Autores, Editores e Leitores

Obra de Francisco Vale

«Os textos deste livro têm uma origem variada. Os que se referem a questões editoriais, autores, leitores e críticos, foram escritos nos últimos seis meses, publicado no blogue da Relógio D'Água e agora parcialmente reelaborados. Outros, mais extensos, como «Uma profissão de risco no século XXI». «Leitura crítica e leitura ingénua», e «Imagens da leitura», são inéditos. Um segundo conjunto de textos é formado por prefácios a obras de Rilke, Virgínia Woolf e Katherine Mansfield. A parte final do livro é feita de trabalhos jornalísticos, entrevistas a José Saramago, Mário Cesariny e Raul de Carvalho, entre outros.» (in Relógio d'Água)

A Botânica das Lágrimas

Obra de Pedro Foyos

O tema tão actual do "bullying" e das praxes cruéis é tratado neste livro de forma inédita, através de uma narrativa de ficção; porém todos os episódios estão fundados na realidade.O jornalista Pedro Foyos, confirmando a mestria com que conquistou o público ao lançar O Criador de Letras, que é já uma referência obrigatória no domínio do romance histórico em Portugal, conduz-nos agora à redescoberta do universo alternativo da infância, à idade da pureza primordial, quando os actos pouco dependem da racionalidade.

Beirut

Beirut, Gulag Orkestar

Beirute é uma banda americana. Começou como um projecto a solo e só mais tarde evoluiu para uma banda liderada por Condon. A música combina elementos da Europa de Leste e dos Balcãs folk com música pop ocidental, fundindo o “mainstream” americano e “indie-cultura rock”. Uma boa curiosidade é que, depois de uma viagem pela Europa, Condon regressou ao Novo México, para estudar Português e Fotografia. (fonte: wikipédia)"

Buracos Negros

Livro de Lázaro Covadlo

«Após cortar a pata de um gafanhoto numa noite de Verão, um homem perde, ao longo da vida, todos os seus membros. Um outro crê que num sonho de infância, algures no País das Maravilhas, teria estado o acesso à fortuna que nunca veio. Outro ainda vê a sua vida desenrolar-se no ecrã de uma decadente sala de cinema das Caraíbas. E um outro acredita que o homem que o impediu de suicidar-se, certa noite em Mar del Plata, era o Diabo.» (in: Livros de Areia)

Paulo Teixeira Pinto e as coisas da "Babel"

Publicada por Carlos Vaz On Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
foi com bastante agrado que li, no suplemento do Expresso deste fim-de semana, algumas revelações de Paulo Teixeira Pinto, sobre as nobilíssimas coisas dos livros da família "BABEL". Tenho por Paulo Teixeira Pinto uma profunda admiração pelo seu trabalho, principalmente desde que entrou na editora Guimarães que tanto aprecio, e pelo seu interesse sério na área do livro, só possível por um verdadeiro amor à causa livresca.
Como diz uma amigo meu, os editores dos tempos modernos vendem livros como quem vende sabonetes, não interessa o produto, apenas o fim se justifica... se uma livraria se enchesse de enchidos, desde que o retorno fosse o mesmo...
Sigo passo a passo a carreira de Paulo Teixeira Pinto, pelos jornais e conversas "travessas" de alguns conhecidos, sei que é pessoa séria e que anda nisto, não para vender os tais chouriços, mas para erguer uma Casa, tijolo a tijolo, uma Casa séria capaz de promover os verdadeiros autores e "Livros" (note-se "Livros" com maiúscula).
Através da entrevista deste fim-de-semana, tocamos na real vontade e posição do afecto pelo livro deste editor. Quem, como eu, leu a entrevista citada, onde PTP nos fala do "Projecto Babel" e na intenção de abrir algumas livrarias, no dizer do editor, autênticos espaços de leitura "gourmet", com certeza que soube ler as entrelinhas deste espaço culinário que também é o da escrita.
Ora, quem tem lido os recentes "posts" do Textualino com o título "O computador orwelliano ou o fim da literatura" (texto ainda por terminar), sabe o quanto este blog enaltece este tipo de livrarias cada vez mais escassas no cenário livreiro português. Por isso posso, desde já, dizer-vos que me sinto um cliente da livraria Babel, mesmo antes desta estar criada.
Como se não bastasse, ao ler sobre esta fabulosa equipa, entre os quais autores da minha geração com a audácia necessária e o fervor da escrita nas veias, confesso-vos que tive o mesmo desejo de fazer parte de algo que está a ser criado, e que, com certeza, irá fazer história no mercado livreiro nos próximos tempos. Para nossa felicidade, enquanto leitores, esperemos que esta intenção seja posta em prática o mais rápido possível.
Parabéns à família BABEL, estarei convosco

"Agora só crio galinhas", Cruzeiro Seixas

Publicada por Carlos Vaz On Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010
É difícil um artista ver-se inserido nessa “máfia” do surrealismo.
há muito que me propus falar de um dos meus pintores favoritos do Surrealismo, falo-vos de Cruzeiro Seixas. Na verdade o seu nome e os seus trabalhos já não precisam de qualquer divulgação, contudo... recentemente deparei-me com uma entrevista curiosa e por isso aqui vai:
Nascido em 1920, na Amadora, Cruzeiro Seixas é, segundo palavras suas, um "homem que pinta", já que na sua opinião a designação de pintor não expõe o verdadeiro gesto da arte daquele que pinta. Mas, quem conhece bem a sua obra sabe que, para além do tal "homem que pinta", existe também um homem que escreve, escreve poesia, sobretudo imbuída de surrealismo.
Deixo-vos como sugestão passagens da entrevista sobre o surrealismo e a arte a Cruzeiro Seixas:
Isso terá que ver com um vazio de espírito crítico e de uma deturpação da História de Arte. Só assim se explica o que se passa em Portugal, em que se enterram gerações inteiras de artistas que tantas obras importantes fizeram e hoje são quase desconhecidos. (...) o surrealismo foi e é para mim uma ideia muito forte, um mito com muitas possibilidades de nos aguentar neste mundo incrível. (...) a maioria das pessoas ligadas à arte está a repetir muitas das coisas inventadas pelos surrealistas nos anos 20, embora sem revelarem a proveniência da sua inspiração
ler a entrevista na íntegra aqui

"Morrer é uma coisa fascinante." Rosa Lobato Faria

Publicada por Carlos Vaz On Terça-feira, Fevereiro 02, 2010


"Morrer é uma coisa fascinante."
"Eu, como sou crente, acredito nos anjos e que os anjos é que me escrevem os livros, sou assim um bocado esotérica (...)"
"Como não faço plásticas, tenho a sorte de poder fazer os papéis de velhas. Já não há velhas, não é? As velhas ou morreram ou fizeram plásticas, portanto não sobrou nenhuma, sobrei eu. De vez em quando, quando é preciso uma velha, lá me vão chamar."
"Há uma vida para além das telenovelas."
(fragmentos retirados da entrevista feita pela SPA a Rosa Lobato Faria: "Renascer aos 63 anos", ver aqui)

"O Ano do Pensamento Mágico" de Joan Didion

Publicada por Carlos Vaz On Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010
Teatro Nacional São João, Porto
na sexta-feira fui ao Teatro Nacional São João, no Porto, para assistir à peça "O Ano do Pensamento Mágico" de Joan Didion, interpretada pela actriz Eunice Muñoz, música original de João Gil e encenação de Diogo Enfante.
Confesso-vos que, no início, a ideia de assistir a um monólogo não me agradou, por todas as razões que advém da oralidade quase estática. Mas as duas horas deste monólogo - interpretado pela sempre mágica Eunice Munõz - foram deveras arrebatadoras, o tempo esse foi até demasiado fugaz. É verdade que os monólogos são sempre difíceis e a catarse de um solilóquio sempre perigosa, pois facilmente podem cair no aborrecimento e, até mesmo, no "adormecimento" do cansado público de sexta-feira à noite, mas felizmente assim não foi... pelo contrário, logo nos primeiros minutos, Eunice facilmente agarrou o espectador já atento e aguçado pela curiosidade de um fio narrativo, bem ao jeito de um contador de histórias que a actriz soube representar na oralidade sempre ritmada, agarrando-se bem à presença e ao impacto inicial junto do público que em silêncio se aguardava para ouvir o que havia para dizer.
Por fim, uma palavra de felicitação para os cenógrafos que criaram um cenário que se movia marcado pelo próprio compasso dos tempos, como uma objectiva fotográfica sobre o "pathos" da obra, e finalmente para o piano de João Gil que soube acompanhar o dramatismo sem nunca se sobrepor à mesma.
No fim, um aplauso arrebatador e merecido

Teatro Nacional São João, Porto

Publicada por Carlos Vaz On Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010
a morte de John Gregory Dunne foi para Joan Didion, sua mulher, um acontecimento transformador: a perda revelou-se-lhe de forma avassaladora, fazendo-a questionar até a mais funda das suas certezas. Ambos escritores, norte-americanos, casados há 40 anos, a relação era para Joan indissociável da sua identidade. A forma como reagiu à tragédia (ao falecimento do marido seguiu-se o da filha) deu origem a O Ano do Pensamento Mágico, narrativa escrita para exorcizar a dor e a autocomiseração, para fazer o luto, recuperar os mortos e, finalmente, deixá-los partir. Premiado com o National Book Award e adaptado ao teatro pela própria autora, o monólogo é agora plenamente assumido pela diva maior do teatro português – Eunice Muñoz –, que, num exercício de contenção, sobriedade e lucidez, dá corpo a uma dor violenta e íntima. Apresentado no âmbito do programa de intercâmbio dos dois teatros nacionais, enquanto Breve Sumário da História de Deus ocupa o palco do TNDM II, O Ano do Pensamento Mágico é a primeira encenação de Diogo Infante enquanto Director Artístico do Nacional de Lisboa

Maria do Rosário Pedreira e os novos autores

Publicada por Carlos Vaz On Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
ouvi falar de Maria do Rosário Pedreira, refiro-me claro à importância que a mesma tem no mercado livreiro, na livraria "Pára e Lê". Samuel, um grande amigo da literatura e dos livros, sempre com bons conselhos, incentivava-me então a enviar os meus originais para a editora QuidNovi, e assim finalmente se fazer jus à minha obra.
Sobre Maria Rosário Pedreira apenas sei das suas histórias e textos que leio e estudo com os meus alunos, e não só. Aguarda também a leitura de um livro que me emprestaram e aconselharam da autora, Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu.
Samuel conhece bem o trabalho de Maria do Rosário Pedreira, chegando mesmo a dizer que se houvesse alguém a tomar conta dos meus livros seria certamente ela. Hoje li uma notícia fabulosa: Maria do Rosário Pedreira, a editora responsável por lançar escritores como José Luís Peixoto, valter hugo mãe e João Tordo, foi contratada pela Leya para ser a editora de novos autores portugueses no grupo. Pela primeira vez sinto-me tentado...

Beirute, Gulag Orkestar

Publicada por Carlos Vaz On Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
uma selecção "Textualino"
a banda norte-americana "Beirute" começou como um projecto a solo e só mais tarde evoluiu para uma banda liderada por Condon.
A música deste curioso grupo combina elementos da Europa de Leste e dos Balcãs com a música pop ocidental, fundindo-o com o chamado “mainstream” americano e o “indie-cultura rock”. Segundo li, depois de uma viagem pela Europa, Condon regressou ao Novo México para estudar Português e Fotografia. Sem grandes contactos que o lançassem no mundo da música, gravou a maior parte do material utilizado para o "Gulag Orkestar" sozinho, no seu quarto. Com o tempo e reconhecimento merecido, depressa se juntaram outros nomes: Jeremy Barnes e Heather Trost, que se tornaram os primeiros membros da banda Beirute (fonte Wikipédia)
Beitute - Elephant Gun
Beitut - Scenic World
Beirut - Long Island.

Onde as estranhas coisas moram

Publicada por Carlos Vaz On Quinta-feira, Janeiro 28, 2010
as coisas estranhas moram numa ilha desconhecida
"Where the Wild Things Are" de Spike Jones é um filme baseado num clássico de Maurice Sendak’s. Este é um daqueles filmes que tudo tem para ser fantástico, mas que no fim ficamos sempre com a sensação de que algo faltou .
"Onde as estranhas coisas moram" traduzo assim à letra, é um filme bem ao estilo do "Alice no País das Maravilhas", pois retrata uma tradicional viagem de uma criança rebelde por um percurso desconhecido até encontrar uma ilha habitada por monstros. No fundo cada um desses monstros é a própria interpretação das personagens que dá uma múltipla face à consciência revoltada de uma criança com o seu mundo controverso: o tímido, o zangado, o afectuoso, o isolado... cada um com a cara desarticulada de um monstro, que, por entre jogos, zangas e conversas, vão convivendo como podem. No fim todos se unem para construir um "castelo" que irá unir e proteger para enfrentar as adversidades da vida. Aqui leia-se o "castelo" ou "a casa" como a construção da própria personalidade da criança que, por fim, volta a sair do confronto com o seu próprio caos, através de uma outra viagem solitária, mas necessária, e nesse regresso tudo fica mais calmo, mais compreensivo, mais maturo

Digo-vos: "não gosto de trabalhar"

Publicada por Carlos Vaz On Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

o preguiçoso é sem dúvida o mais imaginativo
"não gosto de trabalhar" - pronto já o disse. Escolho uma má altura para o dizer, eu sei, sobretudo com esta falta de emprego, perdoem-me por isso estas palavras, mas nestes tempos modernos onde a sociedade persegue os mais agarrados às boas coisas da vida, afirmar algo assim é constatar que nos tornamos logo uns incompetentes. Instaura-se, aos poucos, a plena dedicação quase cega do escasso trabalho e nestes tempos todos os sapos devem ser engolidos custe o que custar. Nestes tempos de crise, o "trabalho liberta" mais do que nunca estamos dispostos a tudo, e os escritórios ganham novos guetos de interesses, com gente a roubar o pão ou a acusar quem cose uma estrela na manga, não religiosa, mas do estrelato ofuscado de quem não quer nem deseja ser um lambe botas típico da competência social.
"Não gosto de trabalhar" - digo-o, e hoje poder afirmar uma coisa destas em plena corrida contra às bruxas do lazer e da família, causa mais escândalo do que o próprio casamento "gay" ou o "Freeport". A vida só a é no escritório, essa sim faz sentido, ao ponto de nos criar o desejo de não querer sequer voltar para casa... mas eu quero, quero voltar para casa, para o parque, para a praia, para a bicicleta... não gosto de trabalhar, não gosto, enterrar-me dia após dia na papelada, sabendo que o único fim de tantas horas gastas é um belíssimo portefólio num sótão qualquer.
Afirmo-o hoje com o desejo de chocar as mentes mais "workaolics" do planeta, as mesmas que nos vigiam, a nós, os preguiçosos e malandros. A verdade é que troco num piscar de olhos o trabalho pelo lazer quase proibido: ler, escrever, passear, estar com a família... coisas de preguiçoso! E sabem o que os preguiçosos mais amam durante o ano? De um bom feriado. Vem aí um feriado, dias pouco dignos que roubam a verdadeira teoria da crise à crise. Benditos dias, espécie de férias às pinguinhas que temos espalhadas pelo ano. Coisa pouco digna para um trabalhador que nem em casa deve parar de trabalhar. Levar trabalho para casa como um lanche... sem falar das férias que são muitas, são muitas, trabalhar de sol a sol, trabalhar, trabalhar, trabalhar... eu não gosto de trabalhar

Ainda "O Estrangulador de Bonecos de Neve"...

Publicada por Carlos Vaz On Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
agradeço, também, as palavras de grande afecto de Regina Gouveia, leia aqui o seu blog, das quais transcrevo parte:
Ontem o escritor Carlos Vaz esteve no Clube Literário do Porto, para nos falar do livro de microcontos: O Estrangulador de Bonecos de Neve.
Estávamos muito poucos e foi pena porque, para além da conversa acerca do livro, emergiram outros temas pela tarde dentro. Mas falemos um pouco da obra de Carlos Vaz, particularmente de O Estrangulador de Bonecos de Neve, com quarenta e sete microcontos que, no dizer de Maria Augusta Silva "nos confronta com múltiplas emoções (…) Desses microcontos ressaltam metáforas da violência (violência compulsiva)e da impunidade (…)O Estrangulador de Bonecos de Neve é um livro intenso num movimento circular, de modo a que a alegoria organize a reflexão plena (caso do primeiro e último textos à volta de livros e leitores). Num misto de sonho e de angústia, Carlos Vaz satiriza a «insuportável leveza das coisas». E da inquietação nasce uma luminosa busca interior e um distinto sentido crítico".
(...)
Os livros de Carlos Vaz são livros para "saborear". Deliciem-se.

Regina Gouveia, in: Do Caos ao Cosmos

Isabel Ferreira Alves e o "Estrangulador..."

Publicada por Carlos Vaz On Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
agradeço as palavras amigas de Isabel Ferreira Alves, leia aqui o seu blog, sobre a minha conversa de sábado, que tomo a liberdade de transcrever:
Reencontrei o Carlos Vaz ontem no Clube Literário do Porto no lançamento do seu último livro. Também a Catarina Vaz, que já não via há tanto tempo. Saudades dos meus amigos!
Conheci a Regina Gouveia escritora que no seu trabalho une a arte e a ciência, campos que a mim sempre me aparecereram como indissociáveis e com produtos riquíssimos. Vou agora descobrir o seu trabalho que apresenta paralelamente um grande trabalho de cariz pedagógico, tanto quanto me foi dado compreender da nossa partilha de ideias.
Reencontrei aí a Regina Pinheiro que já não via há 19 anos. A vida é bela, pois claro :)
Carlos numa simples conversa apresentou a obra, o seu trabalho e projectos. Partilhou ideias com o público e amigos. À noite reli alguns dos microcontos que compõem "o estrangulador de bonecos de neve". Havia-os lido num momento de velocidade da vida e havia-me ficado a sensação de genialidade que caracteriza a escrita de Carloz Vaz. Esta releitura deixa-me na completa certeza, que vem desde o primeiro momento em que o li no ano de 2000, de estar perante uma escrita muito grande. Uma escrita que nos coloca perante o pensamento iluminado sobre a essência dos seres, a arte e sobretudo, a própria escrita e a condição de escritor.

Deixo aqui a leitura do microconto que ilustrei.
"o homem trazia a ideia, mas não sabia como explicá-la. A ideia atormentava-lhe o dia, a noite, os anos e a vida... até o arrastar para a completa loucura. Jamais alguém conseguira saber o teor de tal ideia. Mas desde que sumira para dentro de si, trazia no rosto o gesto do incompreensível lado da expressão, e a loucura fora o único nome que os cientistas souberam dar àquela ideia que o homem trazia bem estampada no rosto."

in o estrangulador de bonecos de neve - Carlos Vaz
visitem: na sintonia da única primeira vez de sempre

Sábado (pelas 16h) - Clube Literário do Porto

Publicada por Carlos Vaz On Quinta-feira, Janeiro 21, 2010
"o título O Estrangulador de Bonecos de Neve confronta-nos com múltiplas emoções e a ele correspondem quarenta e sete contos do novo livro de Carlos Vaz. Três histórias entrelaçam este «estrangulador» (páginas 11, 46 e 57); são uma respiração que expressa as infinitas possibilidades inovadoras da escrita. Esse é, aliás, o timbre da criatividade de Carlos Vaz tanto na ficção como na poesia, áreas que tem vindo a trabalhar com um extraordinário sentido estético, apostado no aprofundamento e no pulsar da palavra enquanto síntese das grandezas e misérias da condição humana. Desses microcontos ressaltam metáforas da violência (violência compulsiva)e da impunidade. O homem cria e destrói o seu «boneco de neve»,dia após dia, limpando bem a «cena do crime» para «não deixar quaisquer vestígios forenses». Depois, na Primavera, vai aos jardins e estrangula «(...) as ramadas em conjunto, tapando a boca de cada uma das folhas para não chamarem o jardineiro». Mais adiante, num toque de mestre, Carlos Vaz faz o «meticuloso assassino de bonecos», «alérgico à avena», cair nas suas próprias teias, espirrando até mais não ao tentar estrangular espanta-pardais. Então desiste. Em termos de provas ADN, os espirros levam a melhor!Com ilustrações de Júlio Cunha, Mário Rebelo de Sousa, Isabel Ferreira Alves, Evelina Oliveira, Constança Lucas e César Taíbo, O Estrangulador de Bonecos de Neve é um livro intenso num movimento circular, de modo a que a alegoria organize a reflexão plena (caso do primeiro e último textos à volta de livros e leitores).Num misto de sonho e de angústia, Carlos Vaz satiriza a «insuportável leveza das coisas». E da inquietação nasce uma luminosa busca interior e um distinto sentido crítico"

Maria Augusta Silva, in: Jornal de Notícia e Diário de Notícias

Vai estar um "estrangulador" no Porto

Publicada por Carlos Vaz On Quinta-feira, Janeiro 21, 2010


apresentação do Estrangulador de Bonecos de Neve.
Neste sábado, dia 23 de Janeiro, pelas 16h00, estarei no Clube Literário do Porto, para vos falar do livro de microcontos: O Estrangulador de Bonecos de Neve, a minha mais recente obra.
Gostaria muito de vos ter e ver por lá.
Até sábado então

O computador orwelliano ou o fim da literatura

Publicada por Carlos Vaz On Quarta-feira, Janeiro 20, 2010
dizia-vos, não sobre o fim da literatura, como no título infeliz desta rubrica, pois a literatura existirá sempre (apesar de o ser em formas pouco convencionais ou interessantes, que delineiam a plasticidade de estar no objecto literário - no seu termo mais pejorativo, é claro), dizia-vos então que as livrarias estão a morrer... essas sim...
Mas comecemos pelos mais pequenos: sabe, quem trabalha com crianças, como as modas literárias estão escandalosamente estúpidas, por se ligarem a objectos vendíveis que prolongam a leitura numa mera passerelle de modas. "O Clube das Chaves", os "Cinco", até mesmo o "Harry Potter", já passaram de moda, poucos são os adolescentes que - sob o plano da leitura implementado nas escolas - ainda lêem estes livros. Apelidados agora de "secas", os livros de aventura de outrora foram definitivamente trocados por um nauseante e estúpido grupo de "chupa-cabras", vampiros que esvoaçam as leituras dos mais pequenos, pousam nos telhados não entrando na casa da interpretação e da imaginação, e ensinam a ler como se chupassem um naco de carne preso entre os dentes.
Um livro para adolescência que não tenha um filme, não presta. Cada vez mais para haver imaginação é necessário uma espécie de complemento alimentício, como em certos iogurtes, uma espécie de 2 em 1.... primeiro surge o livro, de seguida o filme do livro, depois a música do filme do livro... o livro já não é um fim em si, mas o início de uma corrente que justifica apenas estarmos presos às modas. As livrarias entendem isso e borram as montras com as mesmas capas que justificam a ida ao cinema. Mas o que me dá maior regozijo é precisamente o de constatar que a moda passa mais depressa naqueles livros que justificam sempre o filme. Cada vez mais constato que o filme tira a áurea imortal ao livro e torna-o mais fútil do que nunca (continua)

O computador orwelliano e o fim da literatura

Publicada por Carlos Vaz On Sexta-feira, Janeiro 15, 2010
saber "ler" o futuro dos livros
o mercado livreiro português está desinteressante e sem vivacidade. Toda a gente com quem falo, bons e maus leitores, todos eles já repararam que a literatura morre pelos cantos, as estantes enchem-se como pastilhas elásticas literárias... as poucas livrarias que resistem herculeamente nalgumas terras vivem a crise provocada pela falta criteriosa do bom gosto literário, poucos vão às livrarias hoje em dia, um espaço em vias de extinção, que apenas consegue sobreviver nas grandes superfícies comerciais, fazendo-se seguir por "rankings" forjados, os denominados "menus literários". As livrarias verdadeiramente boas fecham, e as que ainda não o fizeram, rebentam pelas costuras com "livros chiclete", como por vezes lhes chamo, por nos fazerem engolir a saliva, fazendo crer que mastigamos comida de verdade.
Não há espaço, meus amigos escritores, a verdade é que não há espaço para todos nós. As livrarias estão a morrer e nós, escritores, somos uma raça em vias da extinção. É uma realidade, o computador Orwelliano já está aí (continua)

     

    M ú s i c a

     

    confesso-vos que pouco ou nada sei sobre a banda "electropop" norte-americana "The Postal Services", por isso, tal como vós, preparo-me para desfrutar um pouco das três propostas musicais do Textualino e só depois direi algo  (em intenções futuras)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    The Postal Service - Such Great Heights...

    The Postal Service - The District Sleeps...

    The Postal Service - Give Up...

     

    F i l m e

     

    "Sleep Dealer" é um fantástico filme mexicano de ficção científica do realizador Alex Rivera. Num futuro pouco distante, os trabalhadores dos países do terceiro mundo exportam mão de obra conectando-se às máquinas... " (brevemente)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    L i t e r a t u r a

     

    diz-me a experiência que os melhores livros são sempre aqueles que os amigos - que realmente nos conhecem - nos aconselham. Indicaram-me 2666 de Roberto Bolaño, já ando a ler...

     

     

     

     

     

     

     

     

    I n t e n ç õ e s

     

    Pintura: futuramente falaremos da pintura de Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas, pintor,cenógrafo e poeta...

    Fotografia: uma figura singular na fotografia. Futuramente falar-vos-ei do norte-americano Robert Frank's,
    Escultura: Anthony Howe será tema para uma abordagem de um post futuro

    A minha lista de blogues

    Ao adquirir um livro tenho em conta:

    Os Textualinos

    Arrecadação

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    Carlos Vaz (Textualino)