DEXTER, UM ANTI-RASKOLNIKOV À PROCURA DA MORAL

o curioso fascínio pelo sangue

quando era pequeno, adorava as novelas brasileiras que passavam na altura. Tenho memória de estar em frente à televisão com os meus pais e vizinhos, para ver a inesquecível Gabriela, o fabuloso Casarão e o Roque Santeiro com o seu Senhozinho Malta. Com o evoluir dos tempos, as novelas perderam o ar da sua graça, esgotaram-se em palhaçadas e histórias de Gata Borralheira, fadas, bruxas, princesas, para além da ideia, já tão farta, das infindáveis desavenças de amor. Hoje, guardo as novelas antigas na memória e da total admiração anterior, passei para um insuportável nojo que pior só comparando com a indiferença que tenho pelo futebol nacional. Contudo, das poucas vezes que espreito a televisão, são outro tipo de novelas o que procuro.

De facto, criei um hábito novo, e entreguei-me às inigualáveis séries inglesas e norte-americanas, capazes de me espicaçarem a inteligência e aguçarem a mordaz forma de estar com a ficção. Entre o punhado de séries a seguir, dou total destaque e espaço ao mais fabuloso psicopata de todos os tempos. Chama-se Dexter, um assassino em série, com um terrível humor negro e um monólogo constante, de cortar a respiração, digno do mais alto romance psicológico. Curiosamente, Dexter tem em mim o mesmo efeito da personagem Rodion Romanovich Raskolnikov do Crime e Castigo, com ele transpiro, por ele simpatizo, com ele sou um assassino ficcional, está feita a catarse perfeita. São poucas as séries capazes de me pôr assim

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