a última vez que se traduziu As Anotações de Malte Laurides Bridgge foi há quarenta e sete anos. Finalmente surgiu no escaparate das livrarias uma nova e excelente tradução desta obra de Rainer Maria Rilke, por Maria Teresa Dias Furtado.
No seguimento da minha releitura da obra Frutos e Apontamentos (trad. de Maria Gabriela Llansol), dei inicio à leitura da tradução de uma das mais importantes obras da literatura mundial. A obra que agora inicio, As Anotações de Malte Laurids Brigge, é essencialmente um trabalho literário onde se evidencia uma mudança intencional que se afasta das obras mais romanescas de Rilke, para tal o autor a escreve como uma espécie de autobiografia literária, onde encontramos marcas do impressionismo. Numa importante leitura ao posfácio de Maria Teresa Dias Furtado, verificamos que esta obra vem quase a pretexto de uma passagem de Rilke por Paris (1902), onde convive com a obra de Rodin e de Paul Cézanne, daí encontrarmos neste trabalho características evidentes do impressionismo. O Autor experimenta assim uma nova forma de estar na estética devidamente demarcada na obra. Com Rodin e Cézanne o autor aprende a ver o mundo em redor, como nunca o fizera, os jogos de luz impressionista ajudam-no nessa nova aprendizagem. Para além da influência destes dois pintores, encontramos ainda evidentes influências dos existencialistas, pois uma dessas anotações é a exaltação do indivíduo como um ser angustiado e emparedado pela morte que se achega cada vez mais. Uma escrita explícita da própria angústia do existir, bem a modo do filósofo Nietzsche… e por aqui fico, já que ainda estou a ler As Anotações de Malte Laurids Brigge
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