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O computador orwelliano ou o fim da literatura

dizia-vos, não sobre o fim da literatura, como no título infeliz desta rubrica, pois a literatura existirá sempre (apesar de o ser em formas pouco convencionais ou interessantes, que delineiam a plasticidade de estar no objecto literário - no seu termo mais pejorativo, é claro), dizia-vos então que as livrarias estão a morrer... essas sim...
Mas comecemos pelos mais pequenos: sabe, quem trabalha com crianças, como as modas literárias estão escandalosamente estúpidas, por se ligarem a objectos vendíveis que prolongam a leitura numa mera passerelle de modas. "O Clube das Chaves", os "Cinco", até mesmo o "Harry Potter", já passaram de moda, poucos são os adolescentes que - sob o plano da leitura implementado nas escolas - ainda lêem estes livros. Apelidados agora de "secas", os livros de aventura de outrora foram definitivamente trocados por um nauseante e estúpido grupo de "chupa-cabras", vampiros que esvoaçam as leituras dos mais pequenos, pousam nos telhados não entrando na casa da interpretação e da imaginação, e ensinam a ler como se chupassem um naco de carne preso entre os dentes.
Um livro para adolescência que não tenha um filme, não presta. Cada vez mais para haver imaginação é necessário uma espécie de complemento alimentício, como em certos iogurtes, uma espécie de 2 em 1.... primeiro surge o livro, de seguida o filme do livro, depois a música do filme do livro... o livro já não é um fim em si, mas o início de uma corrente que justifica apenas estarmos presos às modas. As livrarias entendem isso e borram as montras com as mesmas capas que justificam a ida ao cinema. Mas o que me dá maior regozijo é precisamente o de constatar que a moda passa mais depressa naqueles livros que justificam sempre o filme. Cada vez mais constato que o filme tira a áurea imortal ao livro e torna-o mais fútil do que nunca (continua)

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