
a morte de John Gregory Dunne foi para
Joan Didion, sua mulher, um acontecimento transformador: a perda revelou-se-lhe de forma avassaladora, fazendo-a questionar até a mais funda das suas certezas. Ambos escritores, norte-americanos, casados há 40 anos, a relação era para Joan indissociável da sua identidade. A forma como reagiu à tragédia (ao falecimento do marido seguiu-se o da filha) deu origem a
O Ano do Pensamento Mágico, narrativa escrita para exorcizar a dor e a autocomiseração, para fazer o luto, recuperar os mortos e, finalmente, deixá-los partir. Premiado com o National Book Award e adaptado ao teatro pela própria autora, o monólogo é agora plenamente assumido pela diva maior do teatro português –
Eunice Muñoz –, que, num exercício de contenção, sobriedade e lucidez, dá corpo a uma dor violenta e íntima. Apresentado no âmbito do programa de intercâmbio dos dois teatros nacionais, enquanto
Breve Sumário da História de Deus ocupa o palco do TNDM II,
O Ano do Pensamento Mágico é a primeira encenação de
Diogo Infante enquanto Director Artístico do Nacional de Lisboa