As novas grutas


a própria forma gradual como o texto tem cedido espaço à imagem, em todos os suportes de leitura, tem em tudo contribuído para o desaparecimento deste leitor.
Os JPG's e os GIF's tecnológicos têm quase a mesma função das gravuras usadas pelo homem das cavernas... só que nestes muros apenas se apoia a gravura social do instantâneo, perdendo o total valor da memória. Ao contrário dos primitivos, estas imagens não contam histórias, nem procuram uma interpretação adicional, não, apenas se destinam à sensação mediática, à corporização do sofrimento, à ilustração da dor, do sexo, e do amor. O conceito sem definição, o nome sem a história... é isto o que nos sobra nas escuras paredes das novas grutas tecnológicas.
Tudo é fugaz no espaço neandertal contemporâneo, por isso o texto que demora nas revistas, jornais, etc., têm cada vez menos história.
As palavras faltam, resta-nos o "coiso" que nos transmite a imagem
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