as últimas linhas de um corpo textual


no início partiram os três viajantes da praia azulada, três cabeças que pensavam dentro de uma, ao encontro da metade que lhes falta. O tanque de lavar a roupa pesa cada vez mais e voa por cima das águas, ao encontro da metade que lhes falta.
Na metade louca do mundo reside um corpo que descobre e sustém o jogo, por onde os viajantes terão de passar até chegarem à metade louca do mundo, que são as duas metades enquanto separadas do todo e que quebra o feitiço de monstro tornando-o num corpo de cisne.
A Mãe diz que a metade louca do mundo fica dentro de cada um de nós, e que não é uma metade, mas sim um todo
por essa razão, o tanque, que é o habitáculo do texto, pesa cada vez mais e, desta forma, voa por cima das nuvens, já que aqui o peso faz levitar as coisas para juntar as metades que faltam no vácuo das ideias.
Na verdade, somos todos sempre uma metade à procura de outra, que afinal está em nós como um todo…
parece-vos non sense, parece-vos surrealismo…
eu diria antes, parece-me outra coisa, tudo a mesma coisa, só que apenas disfarçada de muitas metades
Carlos Vaz (texto em volta das últimas linhas do novo romance que aí vem)

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