não há um Outro

não gosto do Carnaval, mas aceito o desafio que me causa. O desafio que, na verdade, consiste no jogo de despojamento do homem pela sua identidade.
A cara escondida por detrás de uma máscara é deveras assaz de gerar um incómodo de medo por parte daquele que desconhece quem tem à sua frente…
mais do que um nome, deram-nos um rosto, o tal de Levinas que nos interpela ao outro, e com este rosto destorcido de referências gera-se o pesadelo de estarmos diante de um corpo que sabemos que sabe de nós mais do que nós da máscara que esconde. Quem nos olha pelos furos - como fechaduras - não são os olhos de um conhecido tapado pelo embuço, não, quem nos olha é antes o pesadelo de não encontrarmos a referência do outro que nos acolhe na mirada e é por isso que o Carnaval me desafia: ao sentir-me visto por quem sabe que não o vejo
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