pêndulo


abrem-se ao mundo como só os jornais fazem
para mostrar a engrenagem dos relógios com os cinco ponteiros
em torno dos odores do sol

ecoam os alarmes para os insectos despertarem a vida
adormecida pelo lençol húmido do solo

em carreiros, os segundos trazem as migalhas até ao ninho
e os minutos voam às riscas, com o misterioso doce nas patas e antenas voltadas para a beleza necessária das coisas abertas

por cima, as horas azuis regressam em voos e cânticos
e o pêndulo move-se lentamente
até à linha eterna das coisas do jardim

Carlos Vaz
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