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invasão na literatura portuguesa

há uns dez anos atrás, dizia-se que em Portugal existia um deficit de traduções, os autores estrangeiros existentes entre nós eram escassos e somente imperava, nas nossas livrarias, os livros dos autores nacionais. Dez anos depois, parece tudo ter mudado. As livrarias estão plenas de uma espécie de ruído causado por tantas traduções, e o lugar dado aos escritores nacionais tem vindo a diminuir de forma preocupante, basta ver pelo constante espaço roubado aos nossos autores, nas livrarias. A Bertrand, por exemplo, tem dado apenas um décimo do seu escaparate aos autores nacionais. A Fnac tem vindo a diminuir de forma preocupante o seu cantinho de autores portugueses, que repartem o espaço com gramáticas e prontuários.
Poderão pensar:
“a verdade é que o mundo é maior do que nós, e em proporção, em quantidade de prateleiras, até não estamos tão mal”
talvez, mas não creio, se não vejam: o suplemento “Mil Folhas”, um suplemento que não perco pela sua qualidade, tem vindo a desanimar alguns dos leitores, pois os autores portugueses nele são pouco divulgados e, quando o são, reduzem-se a um circulo fechado e vicioso, sempre as mesmas caras, sempre as mesmas editoras, apesar de uma vez ou outra lá deixarem passar um ou outro jovem autor contemporâneo de muita qualidade, como por exemplo o valter hugo mãe. Quem fala no “Mil Folhas”, fala também nas revistas “Ler” e “os meus livros”. Este último, ainda consegue demarcar-se um pouco dos outros, se bem que também tem cedido espaço aos autores internacionais
e isto tudo para chegar aqui:
nunca, como hoje, se falou tanto que as rádios passam pouca música portuguesa. É verdade que assim acontece, no entanto, não vejo ninguém a falar do mesmo fenómeno na literatura. Serei o primeiro a ter reparado nisto? Estarei a delirar? Como diz Agostinho, na sua última carta: «decidi que sou eu que estou em crise», por isso o melhor é não ligarem ao que vos acabei de dizer

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