a cor invisual

há uma cor invisual em cada sonho pensado
na raspa, trinada na língua, de um ácido limão
no paladar mastigado da areia que erguida sobre o rosto se esvai
enchendo lentamente a ausência da boca com palavras
que se propagam na erosão audível das ondas

na ferrugem que seiva das feridas há uma cor invisual
lambida vezes sem conta até arder em fontes
onde os pássaros de ferro giram a favor do vento
para indicarem o norte da dor visível
e ecoarem sobre o abismo como fazem as roncas de um farol

Carlos Vaz
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