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1906: nasce a 17 de Dezembro em Tomar
pelos meus quinze anos, cantei - como tenor - no Orfeão de Vila Praia de Âncora. Nessa altura, tínhamos muitas saídas por terras de Galiza. Lembro-me então de uma música cantada como confraternização entre Galegos e Portugueses e que funcionava como um autêntico hino à união. No final de cada encontro, os orfeonistas dos dois países subiam ao palco e de mãos dadas cantavam, juntamente com o público galego, também conhecedor da música, ACORDAI. Acordai é uma das Canções Heróicas compostas musicalmente por Fernando Lopes-Graça, com a letra do escritor José Gomes Ferreira e que depressa foi acarinhada por vários coros de todo o país. As canções heróicas de Lopes-Graça procuravam aclamar o homem, envolto pela quietude de uma ditadura corrosiva, para que este se sentisse pronto para a liberdade. Uma espécie de cântico de guerra capaz de mover massas em prol de uma causa justa e digna.
As canções heróicas pretendiam, sobretudo, despertar e educar incitando a força dos que lutavam contra o poder instituído.

Passaram vinte anos e nunca mais cantei ou ouvi esse hino à heroicidade, tenho andado algo adormecido, tenho de acordar. Temos todos de acordar, porque na verdade há de novo um poder instituído que nos suga com uma seringa chamada progresso.
Gostaria de propor esta forte melodia como Hino Nacional. Fazem falta novos heróis em Portugal, faz falta uma identidade, faz falta quem nos eduque a ter de novo a coragem de outros tempos, faz falta, portugueses, faz falta poder e saber acordar

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