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qual é o verdadeiro medo da sociedade imbecil?
várias vezes abordei os filmes e obras visionárias de uma conduta da sociedade futura e que alguns ainda crêem, e querem fazer crer, pertencerem ao universo da ficção-científica.
Filmes e obras como THX ou 1984 retratam bem uma visão apocalíptica da sociedade num quotidiano que os abraça, ou estrangula, conforme a pressão e o local de aperto, conforme os objectivos que tendem sempre para a inércia cognitiva dos membros do grupo social.
Tenho lido alguns, dos que comigo partilham a ideia de que a sociedade caminha cada vez mais para a inércia, a denominarem, incorrectamente, a mesma de "infantil". Mas na verdade, a sociedade só se tornaria infantil se a ela estivesse enraizada a natureza do questionamento e do jogo da flor consciente - ou não - do saber, e que é própria na acção das crianças no questionar o mundo. Ora em vez do termo sociedade infantil em proporia a sociedade imbecil (não sou o primeiro a falar disto, eu sei). Como dizia, a sociedade imbecil, em vez da infantil, é uma sociedade de apatia interior, sem espaços de reflexão que não sejam as do imediato e o do subliminar. Uma sociedade que se sente bem quando vai às compras e que se sente deprimida quando não é sujeita ao bombardeamento exterior suscitado pelo maior ou menor poder de compra; uma sociedade que chama "regalias" às conquistas, e que em vez de as ter para si, exige antes que as tirem em nome de uma fantasmagórica produção, progresso, etc (veja-se o caso português actual).
Mas voltando às ditas obras de ficção-científica, uma das passagens melhor retratadas da imbecilidade da dita sociedade futura foi no espaço da sala branca do filme THX de George Lucas, onde os ínfimos cidadãos infractores eram punidos pela falta de conduta social ligada, também, à falta de produtividade. Uma sala sem portas onde se juntavam e eram devidamente castigados, não como crianças, mas como imbecis devidamente caracterizados pela inércia do pensamento, e pela possível falta em questões de responsabilidade face aos fantasmas estabelecidos pelo poder. Essas pessoas eram mantidas numa sala branca como uma cor própria para o vazio de pensamento. E de facto quase todos ficavam em branco, quedos nos seus lugares, à espera que alguém agisse por si e os viesse finalmente resgatar do castigo. Digo quase todos, pois um dos cidadãos, o da sociedade infantil do questionar tudo, lembrou-se de sair pela porta. As reacções dos restantes foram o de se sentirem imensamente assustados por aquela atitude reprovável.
Tratava-se assim de um grupo que partilhava da mesma imbecilidade ecuménica. O poder perseguia a criança-homem, para a metamorfosear em imbecil-homem. O que foi do grupo insurgiu-se contra a imbecilidade e, de tanto se questionar como criança, agiu. A criança-homem fugiu da sala e lutou contra o poder, não foi o único que o fez, mas foi o único que conseguiu atingir a liberdade. Numa sociedade assim, só se pode ser um fugitivo. E para os fugitivos, o poder forjou dados de fuga, tornando-a patética e até imbecil aos olhos dos próprios imbecis. Numa sociedade assim, o poder decide, o poder não falha, tudo está bem dentro do poder

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