Wim Mertens

um dia entrei numa pequena discografia de Viana do Castelo, na rua da Bandeira. Andava então à procura de novas experiências musicais. Farto de tudo o que ouvia: já só parava apenas para escutar os pássaros - disse-o ao senhor da loja que compreendeu bem o que queria dizer com aquilo. Trouxe-me, então, até mãos, um disco com um título bem estranho e novo para mim na altura, Der Heisse Brei. Era de um cantor Belga chamado Wim Mertens.
Após a estranheza, o senhor certificou-me que era aquela, a música que andava à procura. Ali estava alguém que cantaria como os pássaros.
Os primeiros compassos de piano, um dos meus instrumentos predilectos, evidenciaram o minimalismo que me tonteia agradavelmente nas repetições melodiosas. Ao fim de algum tempo, a surpresa: ali estava realmente uma voz de pássaro, um falsete adestrado por uma linguagem, que afinal, não é linguagem nenhuma, mas antes uma repetição de sons fonéticos que gerava uma nova linguagem apenas entendida se musicada. Compreendi, mais tarde, que Wim Mertens não tem Língua nas suas músicas, mas sim linguagens e que só fazem sentido na repetição hipnótica do seu piano.
Para quem não conhece, Wim Mertens é a voz que se faz ouvir no inicio do nosso querido programa de Ana Sousa Dias, Por Outro Lado, na 2:
De lá para cá, sou um feroz ouvinte dos cânticos deste compositor, tenho praticamente a discografia toda, prefiro sem dúvida aqueles álbuns em que o canto de pássaro se evidencia como único e verdadeiro instrumento nas árvores do piano.
Escutem os dez deliciosos minutos da música Darpa, do álbum Strategie de la Rupture, na Janela do Fundo. Aguardem nas pausas propositadas e voem na fonética dos pássaros
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