MEFISTÓFELES, de Carmen Giraldez


Espanha, 2005
Pintura a óleo, 52 x 25'5 cm.

um meio rosto para um meio mistério. Mefistófeles propõe e entre as suas palavras se desenha um ligeiro, ligeiríssimo sorriso. Prognóstico da sua vitória?

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chegou à livraria Pára e Lê a minha encomenda do belo livro Fausto de J.W. Goethe, editado pela Relógio d’Água, com tradução de João Barrento e uma excelente ilustração de Ilda David.
Há muito que esperava adquirir esta obra de grande qualidade. Confesso que nunca tinha lido Fausto e tudo que dele conhecia era, somente, uma ou outra passagem textual, citada nas obras de alguns autores de minha eleição. Começo:
«Summa summarum de uma vida», «composição bárbara», «fragmento subjectivo», «monstro poético», «produção incomensurável (…)
diz J. Barrento que estas eram as fórmulas usadas por Goethe para se referir ao Fausto. Segundo li nalguns apontamentos sobre Goethe: esta é uma obra de recolha e observação, um texto colectivo uma vez que nela junta os fragmentos dispersos da sua experiência de vida. De facto a obra sofreu, ela própria um caminho de evolução. Aquilo que começou com um esboço intitulado Usfaust (Proto-Fausto, ou Fausto zero), depois Faust, ein Fragment (Fausto um fragmento), e por último Faust, eine Tragödie (Fausto, uma tragédia), acabou, mais tarde, com a conhecida segunda parte Faust. Der Tragödie zweirter Teil in fünf Akten (Fausto. Segunda parte da tragédia, em cinco actos).
Na obra, a figura de Mefistófeles, aliada do seu lado diabólico coleccionador de almas perdidas, é substituída por uma outra, a do orador paradoxal e descabido de um mundo em constante evolução. Fausto começa a ser cada vez mais, graças também ao demónio, um produto desse último mundo, um mundo díspar do seu próprio quotidiano enraizado numa crença pouco subversiva. O demo Mefistófeles é o êmbolo que desprende estes dois mundos, inclinando, como já disse, Fausto para a modernidade desejada. Uma obra fascinante que começo agora a ler. Tenho-o à minha frente, abro religiosamente a capa dura e começo desta forma:
«Summa summarum de uma vida», «composição bárbara», «fragmento subjectivo», «monstro poético», «produção incomensurável…
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