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O Rapaz com Pregos nos Olhos

montou a sua árvore de metal.

Parecia muito estranha

porque ele realmente via mal.


in A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, Tim Burton


os livros, que se encontram comigo no lugar do acaso, vêm repletos de magia e são mesmo capazes de gerar estados libidinais, e desenhar, no sólido, o mesmo sorriso tido em pensamento, até nos imobilizarem para o eterno escondido das coisas.
Ontem, na livraria Pára e Lê, encontrei-me com um destes livros. Apesar de Tim Burton não pertencer ao mundo das letras e a capa da obra revelar uma “aparente” falta de gosto, compreensível à luz das histórias góticas, a obra A Morte Melancólica do Rapaz Ostra deu-me o que nunca esperei ser capaz de lá encontrar. Estas histórias descabidas originadas pela procura intensional do “non sense”, bem ao género de Lewis Carroll, e que em muito influenciou algumas passagens do meu espaço literário, podem ser divididas em duas partes, a história contada em desenhos de crianças monstruosas, a criança robot, o rapaz ostra, o bebé âncora, a rapariga lixo, a rapariga com muitos olhos. Desenhos onde a monstruosidade gera um apelo enternecedor por ter em nós o efeito de aceitação dessa própria monstruosidade devidamente camuflada pelo corpo de criança (uma criança-monstro é sempre uma criança).
Apesar de a vermos no desenho como um monstro, no texto somos capazes de encontrar o afecto da criança que connosco brinca no espaço textual, aceitá-la como tal é dar um sentido ao próprio “non sense” criado e que também procuro, intencionalmente, na produção de alguns dos meus textos.
Esta obra de Tim Burton, editada pela Antígona, vem carregada de horror e histórias perversas de infanticídio, transformações diabólicas onde o objecto e o humano possuem, afinal, o mesmo corpo, sendo o humano mais monstruoso quanto mais de objecto ele possuir. Tim Burton criou, assim, uma história infantil só que unicamente para crescidos, usando as mesmas criaturas animadas por si criadas em 23 histórias de humor mórbido, mas bem divertidas e ao género de Edgar Allan Poe.
Junta-se, ainda, à qualidade da obra a excelente tradução de Margarida Vale do Gato

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