
Várias árvores ocupam lugares importantes da minha vida, algumas falam comigo desde a amizade, onde cheguei mesmo a brincar nos altos ramos, às escondidas com os amigos de então... triste a vida de quem nunca teve uma relação com uma árvore. Muitos, até, nunca tiveram a experiência de criar uma amizade com uma. Há não muito, dei por mim a abraçar eucaliptos, pinheiros e carvalhos… contei ainda hoje esta história aos meus alunos e eles acharam-me meio tolo. Mas a verdade é que a experiência de abraçar o tronco de uma enorme árvore que abana com o vento é, segundo lhes contei, a mesma sensação de quando éramos ainda bebés e deitados na barriga da mãe subíamos ou descíamos em cada respiração. No fim, disse aos jovens, procurem uma árvore, a vossa árvore e beijem-na, travem com ela uma amizade para lá da velhice, criem histórias junto das mesmas, subam aos galhos e ouçam as narrações silenciosas de cada ramo, continuaram a rir e a pensar que de facto eu perdera o juízo
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