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O FEMININO NA ESCRITA

O FEMININO NA ESCRITA

para as Mulheres escritoras que me ensinaram a ler: Agustina Bessa-Luís, Maria Gabriela Llansol, Maria Velho da Costa, Silvina Rodrigues Lopes, Maria Isabel Barreno, Maria Regina Louro

As escritoras femininas são mais violentas nas descrições, mais aguerridas na narrativa, basta ver Agustina – disseram-me um dia.

o feminino na escrita: a haver um feminino é a do seio da palavra, onde o afecto e a imagem dão ao corpo o deleite necessário para se fazer amor dentro ou fora do texto. Mas não, não acredito no feminino na escrita, não creio na palavra conotada pelo seu género “sexualizante”, instituído pelo poder das coisas que em tudo vê dois caminhos opostos.

Joanne D'Arc

Disseram-me também: Eugénio de Andrade é homem, mas a sua escrita é definitivamente feminina – como se escrever o feminino fosse uma coisa “ultracorpus”, onde o sujeito escrevente é um ente quase assexuado, umas vezes tem pénis, outras, uma vagina, outras tem as duas coisas ao mesmo tempo, e por vezes até não se sabe bem o que lá tem...


Sainte Thérèse de Lisieux

Não acredito na existência do feminino ou masculino dentro da escrita. A melhor explicação do que aqui acabei de afirmar, com aquilo a que chamamos escrita feminina ou masculina, é a da experiência descrita nos textos de Maria Gabriela Llansol. Quando colocaram esta mesma questão à autora, MGL mostrou-se relutante, e em vez da dicotómica divisão dos sexos, fala-nos de um encontro com o afecto do texto, como um encontro de entrega libidinal, uma relação de amante que supera o erotismo da imagem. O feminino ou o masculino da "res" literária assumem antes a figura de um corp'a'screver, um corpo de experiência e de encontro, onde a leitura e a escrita experimentam o anonimato de um corpo comum originado pela viagem textual.
Em vez do corpo feminino instituído pelo poder dicotómico, a autora propõe a Liberdade da Alma, ao fulgorizar-se num corpo legente, uma experiência corporal com o texto, que se abeira à incerteza do abismo, e ao mover-se impelido pela sensualidade que apela os seus afectos, experimenta um espaço de encontro caracterizado pela ausência de todas as coisas. Tal como Llansol, não creio no feminino na escrita, fazer isso é, a meu ver, dirigir a atenção do leitor, propondo rótulos - ou desconstruindo os mesmos à moda do “Ceci n'est pas une pipe". Ler a Joana D'Arc que ri como louca, que combate e luta na incerteza das palavras e as histórias de Agustina Bessa Luís é ser também, enquanto legente, essa mesma Mulher que ri e chora, e ser nela como legente é criar o corpo incerto da escrita, através do encontro com as imagens, uma espécie de corpo, um corpo de encontro com...

3 comentários:

 

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