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neste fim-de-semana, fui ao Coliseu do Porto para ver e ouvir a ópera CARMEN de Georges Bizet.
Foi aos 16 anos que aprendi a gostar, quando vi, com os meus pais, uma belíssima ópera na RTP. Como não havia mais nada na televisão, víamos o que dava, e nesse dia deu uma ópera... e foi precisamente esta obra de Bizet que me fascinou na adolescência. Compreendi que aquela senhora gorda, afinal, cantava uma história de amor. Ao seguir as legendas, ficámos presos em cada acto ao sentido da música. Hoje, a senhora gorda que grita, não passa disso, de uma senhora gorda... a televisão educa cada vez menos... mas isso são outras conversas.
A verdade é que agora, 20 anos depois, a Carmen está longe de ser uma das minhas obras de referência. Geralmente não perco uma ópera no Coliseu, muito menos quando é co-produzida pelo Círculo Portuense de Ópera e a Orquestra Nacional do Porto, que me habituaram a trabalhos de grande qualidade. A noite valeu bem cada momento cantado pela voz de Carmen - Maria Luísa de Freitas, D. José - Paulo Ferreira, Micaela - Olga Dyachkovskaya, Escamillo - José Corvelo... mas confesso que esteve longe de ser um sucesso. Devo apontar como aspectos menos conseguidos: o jogo de luzes no cenário, pois esta já é a segunda ópera (para quem não se recorda a anterior foi "O Barbeiro de Sevilha") com o mesmo jogo de luzes e um cenário muito semelhante, ou seja, mais do mesmo - pouca inovação; o guarda-roupa muito colorido originava uma mescla tal que confundiam o espectador e não era capaz de dar a correcta expressão ao actor; os soldados amarelos apenas se distinguiam pela marcha, pouco mais; os adereços eram fracos e pouco visíveis; a Carmen usava constantemente a mesma expressão de anca levantada, mesmo, até, pouco sensual para a personagem que representava. Mas a principal nota negativa vai, principalmente, para o público que tossia compulsivamente, aliás parecia o coro da tosse; os telemóveis, essa maldita invenção, não eram desligados; as pessoas escreviam mensagens e tiravam fotos, etc... as luzinhas acesas eram deveras maçadoras e constantes; foram ouvidas pessoas a cantar nas passagens favoritas; um público muito falador, os "flashs" das máquinas fotográficas, apesar de proibidas, eram constantes; não respeitaram os intervalos entre os actos, etc., etc., etc

1 comentários:

 

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