FEIRA DO LIVRO, PORTO


depois de quase uma hora à procura de um estacionamento, lá consegui entrar na Feira do Livro do Porto que estava com o pavilhão a abarrotar. Inicialmente tive dificuldades em aproximar-me de alguns livros, devido a uma certa barafunda originada pela avidez saudável da leitura. Normalmente fujo às multidões como o diabo da cruz, mas desta vez, aquela azáfama recebeu o meu inteiro afecto. As pessoas aproximavam-se, tocavam-se de soslaio por entre os apertados escaparates, observavam os meus livros e eu observava os livros deles, e podíamos, logo ali, pelas leituras de cada um, traçar um hipotético perfil de cada pessoa à nossa volta. As pessoas ouviam comentários, abordavam os autores, paravam para folhear, cheirar e ler. Não tenho ideia de ter visto assim, uma Feira do Livro.
Para além do enorme fluxo, as barracas tinham, na verdade, autenticas oportunidades a preços únicos. Encontrei qualidade literária. Os cometas que não chagam a pousar na superfície lunar das livrarias, estavam ali, peças únicas, autênticas tabuinhas gregas cobertas de pó.
Rescaldo da visita, três sacos com preciosidades, entre as quais destaco: “A Invenção do Dia Claro” e “Ficções” de José Almada Negreiros; “Elegias” e “Hinos Tardios” de Friedrich Holderlin (ambas traduções de Maria Teresa Dias Furtado); “A Sibila – Uma Superação Inconclusa”, ensaio de Laura Bulger; etc
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