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PORQUÊ? (2)

homo obesus
gostaria de partilhar a seguinte passagem de uma obra de Guy Debord, que nos explicita a forma como nos paises capitalistas se consegue, ou não, enganar a fome. Ora leiam lá:

O critério que permite avaliar, de forma muito simples, o estado de desenvolvimento do processo é, claro está, o gosto: o dos alimentos modernos, precisamente, é elaborado por uma indústria, habitualmente referida como «agro-alimentar», de que ele resume, enquanto resultado desastroso, todos os sinais, pois uma aparência mais colorida não é garantia de melhor sabor, tal como a insipidez não significa inocuidade. A química, sobretudo, impôs-se massivamente na agricultura e na criação de animais, a fim de aumentar o rendimento em detrimento de quaisquer outras considerações. E depois veio o emprego de novas técnicas de conservação e de armazenamento. Cada passo dado na marcha do progresso, derrubadas o que os especialistas do «enganar a fome» chamam as nossas «barreiras mentais», isto é, a antiga experiência de uma qualidade e de um gosto, permite avançar ainda mais na industrialização. E assim a congelação e a passagem rápida à descongelação serviram antes do mais para comercializar «coxas de aves», por exemplo, compostas de matéria triturada e reconstituídas artificialmente.
Debord, Guy - Enganar a Fome. Lisboa: Frenesi, 2000.

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