EM PRAGA OS LIVROS TÊM CHEIRO (diário de uma viagem I)

algumas livrarias cheiram a chá e a cerveja, outras a livros
há uma tal quantidade impressionante de livrarias e alfarrabistas, na cidade de Praga, como eu nunca vi em mais lado nenhum. Nem em Paris encontrei tantas como nesta cidade. De facto, não consegui avançar um único quarteirão sem deparar com uma livraria. Os escaparates, geralmente em madeira tosca, mas sempre com bom gosto, faziam-se preencher, de uma ponta a outra, de livros, ou não fossem, de facto, espaços de culto, livros esses não de capa florescente como os das nossas livrarias se ilustram para esconder, ou melhor dizendo, abrilhantar, a má leitura (capas que fazem lembrar os coletes da GNR, numa paragem nocturna). Os livros de lá tinham cheiro, em vez de cor, e cheiravam a conteúdo, com capas ténues, mas bem ilustradas e interessantes. Da escrita nada posso dizer, por razões óbvias.
Entrei apenas em duas livrarias, com nomes que nem consigo soletrar, mas cheiravam a chá, ou seja, a livros, e surtiam um bem-estar imediato. Jovens leitores entravam e saíam constantemente, fazendo parte de um fluxo interessado pela leitura deveras agradável, e aquilo funcionava como se o espaço de tertúlia fosse feito no bar da própria escola. O frio exterior tornava ainda mais interessante o espaço quente do chá. Por isso, para quem vai a Praga deixo aqui uma sugestão, entre os monumentos, e a boa cerveja, em cada esquina, uma livraria simpática e com livros que cheiram… visitem
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