A INSUPORTÁVEL DOR DA ABSTRACÇÃO

interessantes anotações de Ruy Ventura, no livro Dez Anos de Solidão de Daniel Gonçalves. Tal como ele, também sou da opinião que o homem é adverso à caoticidade, não aguenta a insuportável dor da abstracção, e para tal a poesia terá um papel fundamental, ao procurar apresentar a inteligível realidade fragmentada. No caso desta bela obra de Daniel Gonçalves, o instrumento de união encontrado pelo poeta, na sua poesia, é certamente o da fulgorização da palavra (mas nisso apenas falarei no sábado)… como dizia, a poesia não ultrapassa a disparidade de sentidos caóticos, apenas nos indica os caminhos possíveis de conviver neles, mas correm-se riscos graves, por vezes os caminhos nem sempre são os mais indicados, e chama-se a isso a má-poesia. E diz Ruy Ventura: é preciso descalçar os poemas, mesmo que os pés sejam feios. Evite-se no entanto tirar as botas quando a falta de limpeza lançará para o leitor somente um intenso mau cheiro
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