A COMUNIDADE DA PERSEVERANÇA

uma delícia, assim qualifico o diálogo entre João Barrento e Pedro Tamen, no programa Câmara Clara, o único de qualidade cultural que tem resistido na televisão pública (falta saber por quanto tempo).
É um facto, a mesmocracia cria a ilusão de liberdade. Como os ratos numa roda, pensamos que corremos sem fim, quando o minúsculo caminho percorrido é sempre o da roda que se repete. Num mundo do mesmo, as coisas ficam sem referências, sem heróis, sem causas reais e, o mais perigoso de tudo, sem memória. Tal como J.B., também sou dos que acreditam que "tudo gira à volta de uma engenharia financeira" que nem imposta nem aceite foi, é uma "coisa"...
Quem lê Llansol, a quem o programa foi dedicado, sabe que a autora nunca partiu vencida, procurando fugir à roda, criou antes a circularidade elíptica, através de espaços de "encontro", e a propriedade deste encontro impulsiona a circularidade no fragmento textual, só que num tempo e espaço sempre diferentes, através das imprevisíveis "cenas fulgor". Mas, até na literatura, aqueles que desafiam a roda, normalmente, são aliciados a regressar à mesma, a autora refere, nos seus livros, essa abordagem constante de quem a queria ver a desistir, pedindo-lhe para escrever os "dias" e desviá-la, assim, de um caminho traçado. Se a autora tivesse algum dia vacilado, não teríamos hoje o exemplo de perseverança llansoliana, cujo modelo dá força e une a comunidade que está aí a crescer e da qual me honra fazer parte
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