A COISA CRÓNICA - No Carnaval alguém deveria levar a mal

o desfile escolar

li que, numa escola minhota, os professores decidiram não levar a cabo o Corso Carnavalesco, alegando sobrecarga de trabalho, decisão logo contestada por encarregados e puritanismos psicológicos de protecção da hipotética alegria das nossas crianças traumatizadas.

Gosto do Carnaval, é uma época de anonimato, de figuração corporal, de transcendência de personalidade, da reinvenção de desejos e fantasias escondidos na inconsciência de cada um. O que deveras me irrita, como professor, é as escolas canalizarem todos os esforços impossíveis e dedicarem uma semana inteira de trabalho para que isso aconteça... as pessoas não sabem, mas as aulas são interrompidas, durante uma semana inteira, até mais, porque não há outra forma para os alunos trabalharem nos carros alegóricos, etc. Assim, as disciplinas cedem as suas horas, os professores transformam-se todos numa espécie de "Bob, o Construtor" para que as fardas estejam preparadas para o desfile a tempo e horas. Para além disso, o que me incomoda mais é o facto do dinheiro que é canalizado pelas escolas, para a compra de esponjas, arames, tintas, aluguer de carros alegóricos, etc., que chegam a gastos astronómicos que poderiam ser canalizados para outras actividades bem mais lúdicas e de real aprendizagem, como: a semana da leitura, que poderia ter uma maior dimensão; um atelier de: cultura, teatro, dança, exposições, música, etc (que não existem). Se pensarmos na quantidade de escolas que fazem desfiles neste país, facilmente verificamos que o gasto torna-se astronómico, e tudo se justifica em nome de duas horinhas de desfile, onde os pais babados vêm tirar fotografias do "filho palhaço" a passarinhar na rua

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