Pedro Foyos e o "Criador de Letras"

ando a ler um romance que tem sido uma perfeita revelação para mim. Falo-vos do mais recente livro de Pedro Foyos, Criador de Letras. Como o título nos indica, este romance histórico, de uma certa maneira, fabulado por uma hipotética vida de um criador de letras, fala-nos de uma demanda que supostamente ocorreu nas escolas de Byblos, Fenícia: um dia, a mando do rei, este criador começou a enlaçar ramos de uma oliveira, vergando-os até ao ponto correcto para formarem letras, se o ramo partisse na dobra da busca, essas letras não seriam de todo possíveis de escrever. Nesta lindíssima história, cada capítulo anda em torno de um letra, do lugar preciso das suas formas, das peripécias da sociedade daquele tempo... e sobretudo de como este criador chegou a cada uma das suas experiências gráficas. Deste estado de reclusão do criador com as suas letras, nasceu uma amizade com uma oliveira, onde se travam conversas poetizadas sobre os homens, os seus credos e valores.

Este é daqueles raros livros que devem ser lidos com um lápis na mão, já que em cada espreitar de página deparamos com aquilo que chamo de versos em estado sólido, ou seja, prosa poética, porque realmente, e como o autor sabe bem, só assim se consegue falar das fabulações do traço. Pedro Foyos mostra, para além da esgrima do traço, ser um brilhante conhecedor de pormenores e vivências históricas que vos confesso estar totalmente alheio. Este é com certeza um livro imperdível, que recomendo vivamente e que todos deviam de o ter na estante

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