Sobre "O Estrangulador de Bonecos de Neve"

o cuidado, essa derivação não científica de outras categorias como a de rigor, parece-me ser uma das vertentes fundamentais da escrita de Carlos Vaz; tipo de depuração que nem sempre se nos apresenta do mesmo modo: rondando a musicalidade onde a estrutura narrativa é secundarizada ante o fulgor do dito, como em Gabriela Llansol, em “Capricho 43”; o burilar da linguagem que, sem perder uma certa poeticidade, opta agora por uma mensagem directa bem ao jeito de escritores como Mário Henrique Leiria, em “O Estrangulador dos Bonecos de Neve”.
Este cuidado, ou melhor, este medir forças com a palavra recusando todo o tipo de estatismo sintáctico – que também pode ser encontrado na poesia de Carlos Vaz – faz-nos ver a escrita deste autor como um organismo que incessantemente se reformula e (re)enuncia nessa procura que a si própria se impõe: a de um persuasivo resplendor que, armadilhando o leitor num jogo de encantamento e sentidos vários, nunca cede na construção de novos paradigmas do dizer, que, contudo, jamais se afastam do real concreto nem de múltiplas inquietações de cariz existencial e histórico-social
texto do escritor Victor Oliveira Mateus
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