Para além do Bem e Mal.

Lacha ch'io pianga
ainda sobre o Anticristo de Lars Van Trier, dois protagonistas de peso contracenam em cada capítulo que divide sequencialmente, do prólogo até ao epílogo, a estranha história das "catarses" humanas.
Como duas contas do mesmo novelo, a história circula num diálogo sobre a interessante dicotomia que está por detrás da gravidade das coisas... são dela exemplos: o homem e a mulher, o bem e o mal, o racional e o "(par)anormal", etc. Nesta dicotomia que impele a acção para um imprevisível final dramático, os diálogos decorrem como um jogo espoletado pelo próprio terapeuta que interroga, "i'm nature", e o medo que responde, "what do you want from me". O animal e o humano são os verdadeiros interlocutores desta guerra entre o Bem e o Mal.
A natureza surge como a manifestação da própria maldade, onde o medo se esconde na toca da raposa, no verde das plantas, na travessia de uma estreita ponte sobre um rio. Para além disso, a mãe que "devora" os filhos, os nado-mortos, o infanticídio e a tortura medieval da mulher revelam-se para além do objecto de estudo da tese da protagonista, que encarna a maldade, como um passeio fora do espaço e do tempo, através da labiríntica floresta do medo para o Éden desejado que tarde em chegar. De facto, a acção decorre durante a estadia numa escura floresta, por onde o caminhar faz-se lento e fora de sentido, para só depois, no epílogo, surgir, no fim da travessia, o Éden, onde as mulheres se transfiguram de objecto de pecado e maldade em mártires carregadas de luz própria que as santificam
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